Educação

Professores denunciam colapso na educação e cobram gestão eficiente de prefeito e secretária

Salas com mais de 40 alunos, falta de apoio a crianças com autismo e ausência de itens básicos expõem crise na Prefeitura de Costa Rica

O que começou com o desabafo de uma mãe de aluno com autismo ganhou novos e graves desdobramentos em Costa Rica/MS. Professores e colaboradores da Rede Municipal de Ensino (REME) procuraram a reportagem do Costa Rica em Foco e revelaram um cenário de sobrecarga, improviso e abandono da educação inclusiva — justamente no mês em que o discurso oficial reforça a importância do Abril Azul.

Dentro das salas de aula, a realidade descrita pelos profissionais é de colapso. Turmas com mais de 40 alunos, ausência de professores substitutos e falta de apoio especializado têm tornado o ensino praticamente inviável — especialmente para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

“Tá caótico. A gente se desdobra, mas não dá conta. Como dominar uma sala lotada desse jeito?”, desabafou uma professora.

Os relatos apontam que, quando professores se afastam por atestado — um direito legal —, a Prefeitura não envia substitutos. Em vez disso, profissionais de apoio, que deveriam atender alunos com necessidades específicas, estão sendo deslocados para assumir turmas inteiras.

Na prática, isso significa que crianças que precisam de acompanhamento individual ficam desassistidas. “Estão usando a profissional de apoio como substituta. A criança autista fica sem suporte. É uma falta de respeito com todo mundo”, relatou uma educadora.

Apesar da gravidade, os próprios educadores fazem questão de destacar: o problema não é a criança, mas o sistema. “Não é contra o aluno. É contra o sistema. A gente está abandonado”, afirmou.

Além da falta de profissionais, a crise também é estrutural. Professores denunciam ausência de materiais básicos, como itens de limpeza, recursos pedagógicos e até alimentos. “Tá faltando café, açúcar, material de limpeza… o básico”, relatou outra servidora.

A merenda escolar também tem sido alvo de críticas. Segundo os relatos, teve dias em que, por falta de alimentos, o cardápio se resume a macarrão repetido por várias vezes seguida.

Nos bastidores, os educadores descrevem um ambiente de desespero. Sem equipe suficiente e sem estrutura mínima, o trabalho pedagógico passa a ser feito no limite — e a inclusão, segundo eles, virou apenas discurso. “Na prática, inclusão é só no papel”, disse um profissional.

Nas redes sociais, pais também reforçam as denúncias. Muitos relatam enfrentar dificuldades semelhantes no acompanhamento dos filhos e criticam a falta de preparo do município. “Falar até papagaio fala. Difícil é garantir o direito das nossas crianças”, comentou uma mãe.

Outro ponto que chama atenção é o impacto direto na alfabetização. Professores relatam turmas com múltiplos alunos que precisam de acompanhamento individual — sem qualquer suporte. “Tem turma que há até três crianças que precisam de apoio. Como alfabetizar assim?”, questionou uma docente.

As críticas se concentram na gestão municipal, acusada de priorizar ações de visibilidade “festas”enquanto problemas estruturais se acumulam nas escolas.

Para os profissionais, o contraste entre discurso e realidade fica ainda mais evidente durante o Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo. “Estão preocupados com mídia. A realidade dentro da escola é outra”, resumiu um educador.

Caso na Bahia amplia debate nacional
O cenário vivido em Costa Rica ecoa uma realidade que ganhou repercussão nacional nos últimos dias. Em Itabuna/BA, a mãe de crianças autistas, Renta Ramos, viralizou nas redes sociais ao denunciar a falta de suporte público e criticar a priorização de eventos festivos em detrimento de áreas essenciais.

No vídeo, ela relata o esgotamento diante da ausência de políticas eficazes de inclusão e cobra mais investimentos em saúde, educação e atendimento especializado. A repercussão do caso ampliou o debate sobre a responsabilidade dos gestores públicos e a necessidade de garantir, na prática, direitos básicos para pessoas com deficiência.

Embora ocorrido na Bahia, o episódio expõe uma realidade que, segundo professores e famílias, encontra paralelos diretos em Costa Rica — onde a inclusão, na visão de quem vive o dia a dia das escolas, ainda está longe de sair do papel.

Enquanto isso, dentro das salas de aula, professores seguem tentando sustentar o ensino com esforço próprio, lidando com sobrecarga, falta de estrutura e ausência de apoio. Um cenário que, para eles, não deixa dúvidas: a educação municipal vive uma crise — e a conta está sendo paga por quem está na ponta, entre alunos e profissionais.