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Arauco amplia controle biológico de pragas e reforça manejo sustentável em florestas de eucalipto

Companhia já liberou mais de 6 milhões de microvespas produzidas em laboratório para reduzir o uso de defensivos químicos nos plantios

A Arauco iniciou a produção própria de agentes biológicos para o controle de pragas em florestas de eucalipto, ampliando as estratégias de manejo sustentável adotadas pela companhia. A iniciativa utiliza microvespas parasitoides produzidas em laboratório para combater lagartas desfolhadoras, reduzindo a necessidade de aplicação de defensivos químicos e fortalecendo as práticas de manejo integrado de pragas.

As espécies utilizadas são Trichospilus diatraeae e Tetrastichus howardi, produzidas desde fevereiro deste ano nas instalações do Instituto Senai de Inovação em Biomassa, em Três Lagoas (MS), parceiro da empresa no desenvolvimento da tecnologia.

Segundo a pesquisadora e coordenadora de Fitossanidade da Arauco, Mariane Aparecida Nickele, o controle biológico já é amplamente empregado nos setores florestal e agrícola por sua eficiência e menor impacto ambiental. "O controle biológico reduz o uso de produtos químicos no manejo florestal e é uma alternativa altamente eficaz e sustentável para conter a presença de lagartas desfolhadoras do eucalipto", afirma.

As lagartas desfolhadoras estão entre as principais pragas dos plantios de eucalipto e, quando não controladas, podem provocar perdas de até 30% na produtividade. Na região, as espécies mais frequentes são a lagarta-parda-do-eucalipto (Thyrinteina arnobia) e a lagarta-medideira (Iridopsis planopla).

O método consiste na liberação das microvespas, que depositam seus ovos no interior das pupas das lagartas, impedindo que elas completem seu ciclo de desenvolvimento. "Em vez de novas mariposas, das pupas parasitadas emergem novas microvespas, interrompendo naturalmente a proliferação da praga. De uma única pupa podem surgir, em média, 250 parasitoides", explica Mariane.

Redução do uso de defensivos

A pesquisadora destaca que a estratégia faz parte do objetivo da companhia de reduzir cada vez mais a utilização de produtos químicos no manejo florestal.

Segundo ela, o controle químico permanece restrito a situações específicas, enquanto o manejo rotineiro já utiliza predominantemente inseticidas biológicos à base da bactéria Bacillus thuringiensis. "A liberação dos parasitoides complementa o manejo integrado de pragas, reduzindo a população de lagartas antes que seja necessário realizar pulverizações em campo", explica.

Mais de 6 milhões de parasitoides já foram liberados

A primeira liberação dos insetos produzidos pela própria empresa ocorreu em março deste ano, na Fazenda Garça Real, em Inocência (MS). Desde então, mais de 6 milhões de microvespas já foram liberadas nas áreas florestais da companhia.

Para Mariane, o projeto representa um avanço importante para a sustentabilidade da produção florestal. "É motivo de muito orgulho ver esse projeto se tornar realidade. Trata-se de uma estratégia econômica e sustentável, que gera benefícios para o setor florestal, para a sociedade e para o meio ambiente", destaca.

Ela ressalta que o desenvolvimento da iniciativa foi possível graças à parceria entre a Arauco, o Instituto Senai de Inovação em Biomassa e instituições de pesquisa, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), além do trabalho da equipe de Pesquisa e Desenvolvimento em Fitossanidade da companhia.