Vape pode causar danos pulmonares graves em jovens e acelerar dependência de nicotina
Especialistas alertam para riscos do cigarro eletrônico, incluindo o chamado “pulmão de pipoca”, associado a lesões irreversíveis
| Costa Rica em FocoCom sabores atrativos, aromas doces e aparência inofensiva, os cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, têm conquistado cada vez mais jovens e adolescentes. O que parece uma alternativa moderna ao cigarro tradicional, porém, pode representar riscos graves à saúde, com possibilidade de provocar lesões pulmonares em poucos meses de uso.
A preocupação dos especialistas está relacionada principalmente à bronquiolite obliterante, condição popularmente conhecida como “pulmão de pipoca”. A doença atinge os bronquíolos, pequenas estruturas responsáveis por conduzir o ar dentro dos pulmões, causando inflamação intensa, cicatrização e obstrução permanente das vias aéreas.
Segundo especialistas, em casos avançados, o quadro pode evoluir para insuficiência respiratória e necessidade de suporte com oxigênio.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 29,6% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarro eletrônico. O índice representa um crescimento em relação a 2019, quando era de 16,8%.
Para a pneumologista Elnara Márcia Negri, do Hospital Sírio-Libanês, o vape não é uma opção segura e pode provocar danos mais rapidamente do que o cigarro convencional.
“O vape é muito prejudicial, e suas lesões se instalam nos pulmões mais rapidamente que o cigarro convencional. Apenas alguns meses de uso podem levar a lesões que o cigarro levaria vários anos para causar”, explica a médica.
O termo “pulmão de pipoca” surgiu após trabalhadores de fábricas de pipoca desenvolverem a doença devido à exposição ao diacetil, substância utilizada para dar aroma de manteiga. O composto também pode estar presente em líquidos utilizados nos cigarros eletrônicos.
Quando inalado, o diacetil pode causar fibrose nos bronquíolos, destruindo o revestimento das pequenas vias aéreas e provocando uma obstrução que pode ser irreversível.
Além desse composto, os dispositivos eletrônicos podem conter milhares de substâncias químicas. Entre elas estão metais pesados como níquel, chumbo e zinco, além de compostos tóxicos e potencialmente cancerígenos, como formaldeído e acroleína.
Outro fator de preocupação é o alto potencial de dependência. De acordo com a especialista, o sal de nicotina presente em muitos cigarros eletrônicos foi desenvolvido para aumentar a absorção da substância pelo organismo, favorecendo um processo de vício mais rápido.
Os impactos não ficam restritos aos pulmões. O uso de nicotina por adolescentes também está relacionado a alterações no desenvolvimento cerebral, além de possíveis efeitos como ansiedade, dificuldade de atenção, insônia e crises de pânico.
Os primeiros sinais de alerta podem surgir de forma discreta, como tosse persistente, chiado no peito e falta de ar durante atividades físicas. O diagnóstico precoce pode ajudar a evitar a progressão dos danos, mas casos avançados podem resultar em perda permanente da função respiratória.
Para a pneumologista, informação e diálogo são fundamentais para enfrentar o avanço do uso dos vapes entre os jovens. “Quanto mais cedo ocorre o contato com o dispositivo, maior a dificuldade de interromper o uso e mais intensos podem ser os impactos no desenvolvimento cerebral de crianças e adolescentes”, alerta.
A orientação dos especialistas é que famílias, escolas e profissionais de saúde ampliem o debate sobre os riscos dos cigarros eletrônicos, especialmente entre adolescentes, público mais exposto à influência dos sabores e da aparência atrativa dos dispositivos. (Com informações Assessoria Imprensa - Sírio-Libanês).