Ministério da Saúde instala unidade móvel em aldeia e intensifica combate à chikungunya em Dourados
Estrutura amplia atendimento na Reserva Indígena com consultas, exames, vacinação e ações emergenciais que somam R$ 28,4 milhões
| Costa Rica em FocoUma força-tarefa do Ministério da Saúde reforça a assistência à população indígena em Dourados com a instalação de uma unidade móvel de saúde na aldeia Bororó II, na Reserva Indígena do município. A iniciativa faz parte das estratégias emergenciais para enfrentamento da chikungunya e amplia o acesso a serviços essenciais diretamente no território.
A estrutura, que deve permanecer por cerca de 90 dias, funciona como ponto de atenção do SUS dentro da comunidade, com atuação das Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena. O espaço conta com consultório médico, sala de vacinação e atendimento multiprofissional, garantindo cuidado contínuo e respeitando as especificidades culturais da população.
A capacidade média é de até 50 atendimentos por dia. A equipe é composta por médico, enfermeira, três técnicos de enfermagem e nutricionista, responsáveis por consultas, coleta de exames laboratoriais — incluindo triagem da doença —, vacinação de rotina, testes rápidos e acompanhamento de gestantes, crianças e pacientes com doenças crônicas.
A secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, destacou a importância da atuação dentro do território. Segundo ela, o vínculo com as comunidades indígenas é essencial para garantir a efetividade das ações de saúde, especialmente em momentos de emergência sanitária.
A instalação da unidade ocorre em paralelo à chegada de doses da vacina contra a chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan — a primeira do mundo contra a doença. Mato Grosso do Sul recebeu 46,5 mil doses, sendo 43,5 mil destinadas a Dourados. A vacinação está prevista para começar no dia 27 de abril, com foco em pessoas de 18 a 59 anos em áreas de maior risco.
Além das ações assistenciais, o Ministério da Saúde já destinou R$ 28,4 milhões para fortalecer a rede de atendimento na região. A atuação inclui equipes da Força Nacional do SUS, que já realizaram mais de 2,5 mil atendimentos clínicos, além de remoções, visitas domiciliares e exames.
No combate ao mosquito Aedes aegypti, 50 novos agentes de combate às endemias foram incorporados às ações nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Eles atuam na eliminação de criadouros, aplicação de inseticidas e orientação à população. Até o momento, cerca de 1,9 mil imóveis foram visitados, com a retirada de centenas de focos potenciais do vetor.
Outra frente envolve a instalação de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia que utiliza o próprio mosquito para espalhar o produto em criadouros de difícil acesso, interrompendo o ciclo de reprodução.
A resposta emergencial também inclui ações sociais. Cerca de 2 mil cestas de alimentos já foram distribuídas às famílias, com previsão de chegar a 6 mil unidades até junho, em parceria com órgãos federais.
Com a soma de medidas — que vão da assistência direta à vacinação e controle vetorial —, o governo federal busca conter o avanço da doença e garantir atendimento mais próximo e eficiente às comunidades indígenas da região. (Com informações Edjalma Borges / Ministério da Saúde).