Saúde

Traumas na infância aumentam em até 57% o risco de doenças na vida adulta, aponta estudo

Revisão científica com mais de 6 milhões de pessoas relaciona experiências adversas na infância a diabetes, doenças cardiovasculares, enxaqueca e problemas intestinais

Experiências traumáticas vividas na infância, como abuso, negligência, violência doméstica, bullying e perda de cuidadores, podem deixar marcas que vão além da saúde mental. Uma ampla revisão científica publicada em 2026 na revista eClinicalMedicine, do grupo The Lancet, revelou que essas vivências aumentam em até 57% o risco de desenvolvimento de doenças físicas na vida adulta.

O estudo analisou dados de mais de 6 milhões de pessoas reunidos em 250 pesquisas realizadas em diferentes países e identificou associações importantes entre traumas na infância e enfermidades como diabetes, doenças cardiovasculares, enxaqueca e síndrome do intestino irritável.

Entre os resultados, o bullying apareceu como o fator mais associado ao adoecimento, dobrando a chance de desenvolver problemas físicos ao longo da vida. Já históricos de abuso físico e sexual também apresentaram forte relação com o surgimento de doenças crônicas.

Segundo os pesquisadores, o estresse prolongado na infância pode provocar alterações duradouras no organismo, favorecendo processos inflamatórios e desequilíbrios hormonais que aumentam a vulnerabilidade a doenças metabólicas e cardiovasculares.

A pesquisa também mostrou que mulheres expostas a experiências adversas apresentam maior risco de adoecimento do que homens.

Diante das evidências, os autores defendem que o histórico de traumas na infância passe a ser considerado pelos profissionais de saúde como um importante fator de risco, permitindo intervenções precoces e estratégias preventivas capazes de reduzir os impactos dessas experiências ao longo da vida.